O blogue

Estudos da Sociedade Brasileira de Computação apontam que a quantidade de mulheres que ingressam na área tem reduzido com o passar dos anos. Segundo Claudia Bauzer Medeiros, presidente da SBC, há 20 anos elas chegaram a ocupar quase metade das vagas nos cursos de graduação em computação, porém, desde 1992, o número de candidatas tem caído. De acordo com o MEC, em 2004, das 13.606 graduandas, apenas 3.049 concluíram os estudos. [1]

“Claro, as mulheres não são tão boas em lógica quanto os homens! Elas  têm aptidão para profissões como  professoras e enfermeiras.”

É mesmo? Não sabia que antes de nascer a gente recebia um manual de instruções e um formulário contendo as informações sobre o nosso pré-funcionamento.

“Você quer ser homem ou mulher?”

“Mulher.”

“Ok, marquei a opção. Para você ser mulher são necessários alguns pré-requisitos: sensibilidade, vaidade, intuição, TPM e instinto materno. Você vai ser psicóloga e mãe de três filhos. Próximo!”

“Mas… não sei se vou querer ser mãe muito menos psicóloga. Prefiro nascer, crescer e escolher depois. Vai que eu queira ser cientista.

“Você? Cientista? Não, isso não é normal. Nem adianta reclamar, querida, para ser cientista tem que ter raciocínio lógico; como seu cérebro é menor, não assimila certas informações, entendeu? Você pode ser enfermeira, professora ou psicóloga. E só. Não esqueça de passar na fila da bunda e do peito também. Próximo!”

Essa  visão de feminilidade é construída culturalmente e perpetuada como uma verdade absoluta há séculos. Vai ver é por isso que as meninas ainda são ensinadas a se dedicar ao ambiente privado – o lar, a maternidade; se comportar somente de um determinado modo como brincar de casinha, nunca de carrinho; gostar de rosa choque, ser uma princesa e por aí vai.

Ser homem ou mulher não se refere apenas à questão natural, biológica, mas, principalmente, a do vir a ser, através das experiências e histórias pessoais.

“E daí?”

Daí que toda essa bagagem cultural, por exercer forte influência na criação de meninas e meninos, respinga na escolha profissional, o que ajuda a explicar essa ’segregação técnica’ entre homens e mulheres.

Outro ponto decisivo para a predominância masculina é a falta de confiança das mulheres em si mesmas. Elas se sentem  mais cobradas do que homens, desmotivadas por que não há representantes do sexo feminino para servirem de incentivo e, em geral, são alvo de cantadas ou piadinhas machistas simplesmente por serem mulheres.

Para contestar estas questões, as mulheres estão unindo forças para tomar o poder que lhes cabe no universo da informática. Elas querem re:tomar a tecnologia! Como dizem as meninas do Genderchangers: “estamos interessadas em coisas techs e gostamos de brincar com elas. Sabemos que existem outras mulheres que também estão interessadas. Existem poucas oportunidades para nos juntarmos e ainda menos espaços seguros para aprendermos. Queremos mudar isso! Queremos que as mulheres se tornem confiantes o suficiente para “hackear” de sua própria forma a dominação masculina e ocidental das tecnologias digitais.”

Eis a grande bandeira do que se chama ciberfeminismo, uma reação cibernética com o intuito de desconstruir o imaginário patriarcal e re:tomar o acesso à tecnologia para que esta seja uma ferramenta na luta pela igualdade de gênero. Esse blogue nasceu justamente daí.

[1] http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=6583

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