Submidialogias

Submidialogia é um projeto crítico multidisciplinar de arte, mídia e tecnologias participativas, de cujo processo todos os agentes envolvidos – a comunidade local, teóricos, técnicos, artistas, ativistas e o espaço público – tomam parte.

O projeto tem provocado ações experimentais que inovam no campo da mídia digital e novas tecnologias porque se dão verdadeiramente a partir de processos colaborativos abertos e em constante construção. Questionam-se assim as configurações sociais, culturais e políticas, além do uso imaginado sobre a existência dos objetos técnicos e estéticos.

Ao fomentar o diálogo entre teoria e prática tendo como ponto de partida a convivência junto ao dia-a-dia das comunidades e pessoas, nos espaços públicos, fazemos arte, ciência e gastronomia. Trocam-se idéias, experiências e conhecimentos, enquanto todos participantes constróem coletivamente os momentos do festival.

Tanto tema quanto formato ainda estão em construção, mas pairam na convergência entre cultura, comunicação, resistência, re-significação, mídia, tecnologia, arte e táticas.

Através da realização de diferentes formas de oficinas e interações (debates, espetáculos, exibições, transmissões ao vivo, convivências filosóficas, choques elétricos, e intervenções cotidianas), do registro de relatos orais e da criação de mecanismos de visibilidade dentro e fora das comunidades, o projeto busca equipar seus participantes com recursos para que falem de suas especulações, estudos avançados, práticas e que reflitam, através da experiência criativa, um pouco desta identidade conturbada pela velocidade da transformação econômico-social.

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Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração de Crianças e Adolescentes

Ontem, dia 18 de maio, foi o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração de Crianças e Adolescentes. Este dia foi instituído por lei federal em 2000 mas virou um marco há mais de 30 anos, em homenagem ao célebre caso de Araceli Crespo. A menina, na época com 9 anos de idade, foi espancada, estuprada e morta por um grupo de rapazes, no ano de 1973, no Espírito Santo. Até hoje ninguém foi preso pelo crime.

Coletar dados a respeito do abuso e da exploração sexual infantil não é tarefa fácil. Poucas denúncias são feitas, e as famílias ainda acreditam que é melhor esconder o abuso das autoridades. O Disque-denúncia de violência, abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes da Secretaria Especial dos Direitos Humanos recebeu, de maio de 2003 a abril deste ano, cerca de 10 mil denúncias. Dessas, 3 mil e 200 eram de abuso sexual, e mil e 700 de exploração sexual.  (fonte do site da Rádio Câmara).

A campanha deste ano focou os abusos praticados contra menores nas rodovias brasileiras e teve Recife a cidade escolhida para abrir a campanha nacional cuja meta é reforçar o Disque 100, número que deve ser usado pela população para denunciar casos de violência sexual contra crianças e adolescentes.

A atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), sancionada durante o III Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, no Rio de Janeiro, em 2008, prevê a criminalização da aquisição e o armazenamento de pornografia infantil além de reclusão para quem facilitar ou induzir o acesso de crianças a material pornográfico ou as levarem a se exibir de forma sexualmente explícita. Outras práticas a serem punidas  são: 1. produção, reprodução, direção, fotografia, filmagem e registro de cena de sexo explícito; 2. agenciamento, facilitação, recrutamento ou coação para que crianças e adolescentes passem por esta situação.

O Centro das Mulheres do Cabo fez um spot sobre o assunto. Confiram!

Aqui você pode baixar um guia escolar que ajuda a identificar os sinais de abuso e exploração e aqui, ler oEstatuto da Criança e do Adolescente (ECA) na íntegra.

Visitem:

Brasil Contra a Pedofilia

Diga não à erotização infantil

Como proteger as crianças da pedofilia

curso Comunicação, Gênero e Rádio – Centro das Mulheres do Cabo

cmc

o Centro das Mulheres do Cabo, em ação consorciada com a Casa da Mulher do Nordeste e o Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste, realizou no SINDSEP-PE, o curso Comunicação, Gênero e Rádio, entre os dias 01 e 03 de maio. cerca de 30 mulheres que atuam como comunicadoras populares em Pontos de Cultura, rádios comunitárias e/ou comerciais discutiram gênero & comunicação e tiveram noções de técnicas de edição, produção e locução para rádio.

1º dia, 01.05.09

Ana Veloso, jornalista, mestra em comunicação pela UFPE , professora da UNICAP e integrante do Centro das Mulheres do Cabo, estimulou uma reflexão sobre o contexto da comunicação no Brasil e sobre a relação mulheres, mídia e feminismo. no primeiro momento houve a apreciação de um áudio produzido em uma rádio comercial da Paraíba, que faz uso de palavras de baixo calão para desmoralizar e demonizar as mulheres. a veiculação dessas idéias (mulher como fruto do pecado, sedutora,  e responsável pelo assédio sexual devido às roupas) foi tema de debate e resultou em uma grande inquietação nas participantes: por que existe espaço para esse tipo de declaração mas não um local próprio para que as mulheres desconstruam essa fala machista? será que a liberdade de expressão pode ferir os Direitos Humanos?

e por falar em Direitos Humanos…

muita gente por aí ouve falar mas não sabe exatamente do que se trata.  de forma simples e direta, Direitos Humanos são os direitos e liberdades básicas de todos os seres, como liberdade de pensamento, de expressão, igualdade perante a lei, etc. o surgimento da idéia atual sobre esses direitos deu-se graças aos impactos causados pela Segunda Guerra Mundial. após o término do conflito, a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1945, resultou na produção da Declaração Universal dos Direitos do Homem, documento precursor na defesa dos direitos sociais (educação, saúde, moradia, trabalho, lazer, segurança, entre outros). o texto apresenta em seu 19º artigo o que ficou conhecido como a expressão do direito à informação: “Todo homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras”. este é um direito-suporte para a existência de uma sociedade verdadeiramente democrática e para o livre exercício da cidadania.

a mídia no Brasil

porém, não é exatamente isso o que acontece no Brasil; pelo contrário, a mídia é tratada como mercadoria, e por isso não corresponde aos anseios da sociedade. as concessões públicas estão nas mãos de difusores (na maioria das vezes políticos, religiosos e empresários) que estimulam necessidades dispensáveis, criminalizam os movimentos sociais, deturpam notícias, quando, na verdade deveriam prestar serviços com fins educativos. além da presença de grupos familiares (seis, atualmente: Civita, Marinho, Frias, Saad, Abravanel e Sirotsky) e o vínculo com as elites políticas regionais, a comunicação é objeto de oligopólio, situação em que um número pequeno de empresas dominam o mercado.

na teoria, as concessões de rádio duram 10 anos e as de televisão, 15. na prática, elas são renovadas automaticamente sem uma discussão profunda acerca do papel dos meios de comunicação, suas responsabilidades e seu controle, feito pela própria sociedade.  vale ressaltar que esse controle não é uma censura, visto que o material produzido não seria analisado previamente, só seria vetado se ferisse os Direitos Humanos.

mulher, feminismo & comunicação

historicamente, a mulher foi destinada a se relacionar no mundo privado (casa, silêncio), enquanto o homem  pode se dedicar ao universo público (trabalho, fala). essa condição começou a mudar a partir do século XIX, época em que a mulher passou a ser vista como sujeito social devido à sua participação política e ao acesso à instrução.

as relações de gênero, relações de poder construídas socialmente, são questionadas pelo feminismo. este movimento sócio-político que luta pela igualdade das mulheres em relação aos homens defende a conquista da fala pública e repudia a representação da mulher como modelo, motivo de chacota ou objeto. nós, mulheres e sujeitas políticas,  precisamos contar nossas histórias, nos apropriar do espaço público e colocar reinvidicações.

“Liberdade é pouco. o que eu quero ainda não tem nome.”

Clarice Lispector


no período da tarde, Fábia Lopes, radialista e jornalista pela UFPE, especialista em Direitos Humanos pela UNICAP e coordenadora de Projeto Sociais do Centro das Mulheres do Cabo, apresentou os elementos do rádio (produção, locução e edição).

2º dia, 02.05.09

no início da manhã, Fábia Lopes subdividiu o grupo para que cada um trabalhasse em cima de uma temática: vinhetas, spots, rádionovela, entrevista, rádiorevista, enquete, música. a  educadora e membro do Centro das Mulheres do Cabo, Manina Aguiar, trabalhou algumas técnicas de locução. em seguida cada um dos grupos colocou os novos conhecimentos em prática.

3º dia, 03.05.09

no último dia, tivemos noções de edição de áudio com os softwares audacity, vegas e soundforge além da finalização do programa Retrato de Mulher e da avaliação do encontro.

o curso foi uma experiência e tanto para todas nós: novos conhecimentos, sorrisos, olho-no-olho, confidências, amizades, contatos, futuras parcerias, espaço seguro, imersão feminina, colaboração, crescimento. só tenho a agradecer a leve con_vivência durante esses três dias!

ouçaqui o programa Retrato de Mulher em formato .ogg e em .mp3.

assistaqui o vídeo feito por Amanda Barral e leiaqui o relato de Jonara Medeiros, da Ascom MinC/RRNE

turma-toda

Pernambuco (UFPE), professora do curso de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) e
coordenadora da Política de Comunicação da ONG Feminista Centro das Mulheres do Cabo

download da norma técnica “atenção humanizada ao abortamento”

a norma técnica Atenção Humanizada ao Abortamento, produzida pelo Ministério da Saúde, em 2005, é um guia para apoiar gestores/profissionais de saúde e introduzir novas abordagens no acolhimento e na atenção para com as mulheres em processo de abortamento (espontâneo ou induzido), buscando, assim, assegurar a saúde e a vida.

este material é um instrumento de ação para produzir resultados práticos que reflitam respeito à cidadania feminina e expressem os cumprimentos das Resoluções da Cúpula do Milênio das Nações Unidas (Nova Iorque, 2000), que definiu como uma de suas metas a redução dos níveis de mortalidade materna em 75%, até o ano 2015, em relação aos índices da década de 1990.

para baixar o arquivo, clicaqui.

download do livro “para entender a internet”

hoje comecei a ler “Para entender a Internet“, um beta-livro organizado por Juliano Spyer que reúne textos variados sobre a cultura da rede. esta produção teve início na última Campus Party, em janeiro, e contou com a participação de ativistas, acadêmicos e profissionais que trabalharam colaborativamente.

além disso, o livro está aberto a interferências (comentários, divulgação e remix) e licenciado em creative commons.

a leitura é deliciosa!

quem quiser baixar o livro, clicaqui.

para_entender_a_internet